e sincronizar a fala dele
no meu silêncio.
Tivesse minha máquina um grito,
Estaria o grito aqui, neste papel
A poesia é criada como havia predito,
Ensinei-lhe a imitar um menestrel
Assim, vejo o mundo mais bonito,
Mais doce do que o mais puro mel,
Pois ela grita por todo o infinito,
Sobre sentimento, fraterno ou infiel
Mas como ela não escreve, nem digita
Não pensa, não sente, só imita,
Este grito... É da máquina ou meu?
Não importa, já não mais omito,
A chave da poesia não é o grito,
Pois o sentimento... É o teu.
Este soneto foi escrito por um software, uma máquina, um algoritmo. O
texto está inerte até que o leitor o interprete e tire daí um
sentimento, emoção ou significado.
O software foi feito com um dicionário de rimas, um thesaurus e
algumas linhas de código utilizando técnicas de inteligência
artificial. Foi alimentado com dezenas de poesias famosas, buscou
formar versos aleatoriamente dentro de um tema e recebeu uma ajudinha
minha na exclusão de versos ruins e na manutenção da coerência.
Criei este programa para lembrar que o sentimento não depende tanto de
quem escreve, mas principalmente de quem lê. Fiz a tal “parada
contraditória, aleatória e dadaísta” de “gerar poesia do computador”.
Henrique Borges, postado por Nina.
Aí que nos últimos três dias ando tendo insônias inexplicáveis, de deitar com sono à noite e conseguir dormir apenas na aurora do outro dia. Atravesso quatro ou seis horas de escuro, lembrando das pessoas que já estiveram perto, mas que agora são fragmentos de alguma coisa chamada saudade. Sem saber se essas memórias me acompanham ou se são o que me mantêm acordado, lido com o agravante da dúvida. Depois de muito lutar contra o esforço do meu corpo em desobedecer a minha vontade, adormeço. E sonho com todas aquelas pessoas que me visitaram em pensamento, por tantas horas. E elas parecem estar vivas, tão reais e espontâneas, roubando minha atenção por longas conversas. E, como em uma queda de sinal da operadora de celular, a nossa conversa cessa com meu despertar. E me acordo sentindo que fiz uma pequena volta ao passado, num intervalo que eu queria que fosse maior, mas que, por vezes seguidas, parece que pude escolher tê-los. As pessoas, os lugares, os momentos. E agora, depois de 72 horas, e poucas destas dormidas, não consigo negar que quando olho para o meu quarto, no meio daqueles armários, aparelhos, quadros e revistas jogadas, vejo uma máquina do tempo, que me deixa revisitar-me todos os dias, às migalhas.
Lucas.
(...)
Nós podemos percorrer o mundo à procura da sabedoria, encontrar todo o tipo de sábios, seguir todo tipo de trabalho espiritual, yoga ou meditação. Nada disso serve à grande causa se não se tivermos tido contato com o guia interior. Nós todos temos o nosso, discreto, prudente, infalível, mas é preciso que nós ofereçamos a ele a nossa confiança, que é de longe a única coisa que ele exige de nós. Feito isso, ele não nos trai jamais.
Esse guia é o gosto.
Se entregar a ele é correr o risco de não se decepcionar jamais.
- Mesmo no amor?
- Sobretudo no amor.
Nina, traduzindo o texto Guide Interieur, do livro Petit Eloge du Sensible, de Elisabath Barillé.

Nize Pellanda: O amor, [Lévy suspira e os entrevistadores riem] banido da ciência clássica, como atrapalhador do conhecimento, volta na sua obra, e também na de outros cientistas complexos, como categoria cognitiva fundamental. O que você poderia dizer sobre isso?
Pierre Lévy, em entrevista ao Roda Viva, 2001.
Porque o filósofo estará aqui amanhã e será entrevistado por Yuri. E porque disse sábias palavras sobre o amor.
Nina, tiete de Lévy.