Eu sei, rapaz, confesso
Que estava errado ontem,
E você certo.
Mas você não estava certo
De que eu estava errado.
Eu, desde o início,
Admiti a hipótese
De você estar certo.
Politicamente eu agia errado.
Mas estava aberto no meu erro.
Você, fechado, em defesa,
Amedrontado na sua certeza.
Errado espiritualmente
Eu estava certo,
E você, certo,
Se apoiava
Numa atitude humana viciada.
Tranqüilo, aqui estou eu, errado.
Certo, afirmado,
Certamente você está muito magoado.
Millor Fernandes
Rachel Queiroz.
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quarta-feira, 18 de novembro de 2009
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Visto a roupa e vou embora...

E eu estava ali, olhando aquele homem, na minha cama, vestido com a minha cueca. Ele ia acordar jájá, ressacado, morto de sede, de fome, de dor de cabeça. Com um gosto amargo na boca, pensando como veio parar ali, de quem era aquela cama, aquele travesseiro com cheiro de alecrim. E eu estava só esperando ele dar sinais de sono leve pra fazer algo para acordá-lo e me apresentar. Oi, me chamo tal. E a gente está onde? No meu apartamento. E de quem é essa cueca?? É minha. Não se preocupe, nada ocorreu, é que eu uso cueca. Ah. Eu não lembro nada da noite passada. Eu sei, mas eu lembro.
E eu lembrava. Aquele homem lindo, bêbado, caindo. Trouxe ele em casa, ele tropeçou, tropeçou, ficou inconsciente, eu dei um banho nele, já preparando para o dia seguinte. Botei ele na cama e nem precisei ninar. Para no dia seguinte, ele estar inteiro.
As panelas já estavam fervendo, um almoço leve e cheiroso. O cheiro inundava a casa, acho que iria chegar ao nariz dele, sono leve. Ia pensar que estava na casa de uma mulher velha, boa cozinheira. Boa cozinheira, não tão velha. E ele não estava na casa, bem, bem, estava na cama.
E ele acordou. E perguntou quem eu era, eu contei a história, disse que já que havia passado a noite e não tinha comido nada, podia ficar para o almoço, já que eu havia cozinhado para dois. E ele concordou. E eu lhe ofereci uma escova de dentes e pasta. E outra cueca, para outro banho. Fui cozinhar as verduras, o peixe e as batatas. Trouxe à mesa, em dois pratos, o dele maior, o meu, menor. Ele comeu bastante, estava com fome. Perguntou se tinha mais, depois retirou a pergunta, meio tímido, eu disse que tinha bolo de chocolate para a sobremesa, um tantinho, se ele quisesse.
E eu lembrava. Aquele homem lindo, bêbado, caindo. Trouxe ele em casa, ele tropeçou, tropeçou, ficou inconsciente, eu dei um banho nele, já preparando para o dia seguinte. Botei ele na cama e nem precisei ninar. Para no dia seguinte, ele estar inteiro.
As panelas já estavam fervendo, um almoço leve e cheiroso. O cheiro inundava a casa, acho que iria chegar ao nariz dele, sono leve. Ia pensar que estava na casa de uma mulher velha, boa cozinheira. Boa cozinheira, não tão velha. E ele não estava na casa, bem, bem, estava na cama.
E ele acordou. E perguntou quem eu era, eu contei a história, disse que já que havia passado a noite e não tinha comido nada, podia ficar para o almoço, já que eu havia cozinhado para dois. E ele concordou. E eu lhe ofereci uma escova de dentes e pasta. E outra cueca, para outro banho. Fui cozinhar as verduras, o peixe e as batatas. Trouxe à mesa, em dois pratos, o dele maior, o meu, menor. Ele comeu bastante, estava com fome. Perguntou se tinha mais, depois retirou a pergunta, meio tímido, eu disse que tinha bolo de chocolate para a sobremesa, um tantinho, se ele quisesse.
E ele quis. E depois disse que ia embora, mas se ofereceu para lavar os pratos, porque não sabia como retribuir tanta gentileza, obrigado por me socorrer, um bêbado, imagine o trabalho. E eu pensando “imagine o trabalho para retribuir?”
Mas eu disse a ele que daquele jeito não podia sair às ruas, que as roupas dele estavam molhadas, porque ele entrou com elas no chuveiro, então, seria bom que ele ficasse até de noite, porque ai elas secariam e ele poderia ir decente à rua. E ele concordou. E ficamos no sofá, como estranhos, vendo séries, comentários jocosos, até que ele me perguntou se eu aceitaria um cafuné de retribuição. E eu disse que claro. E dali para beijos e carinhos um passo.
Ninei ele antes de ele ir pra minha cozinha e fazer-me um jantar de ovo+queijo+cebola, não digo omelete porque não era bem isso. Era amorfo. Mas deu energia pra continuar a noite, e acordar de manhã, com cheiro de mais omelete amorfa, que é o que sustenta o amor tupperware. Não se engane. É o mais forte, para um fim de semana de bebedeira e gratidão.
Nina, em resposta ao texto http://olhosdaverdade.blogspot.com/2009/09/homem-tupperware.html, mostrado por Yuri. Promessas, Yuri, promessas. Que venham os homens tupperware!
sexta-feira, 10 de julho de 2009
nem tudo que dói é espinho
cristina, cara, deixa eu sentir saudades de você, deixa? porque até o ruim em se sentindo é bom - saber que se é vivo, me entende? não é que eu não goste de você - gostar gosto e muito - diria assim que te amo - talvez até que você é essencial. mas você há de convir, cristina, que cada um cada um; nem só você deve me vir, e eu também, me entende, cristina? nem chorar nem dramar, nada que adiante, "contenha suas emoções!", sabe? saber jogar, saber lidar. amor nem é só amar; há doses, cristina, eus e vocês, há o certo da mistura que é pra não deixar passar do ponto - não te estragas, não me estrago. mas não venha aqui, aproveitando a brecha, a fenda, a falha - você como sempre uma excelência em sentires - me acusar de não ser intenso. pois que sinto muito e numa tal intensidade que prefiro manter segredo a respeito; você sabe, sabe sim, que há o intenso e o exagero: você está quase cabendo numas extravagâncias, cristina. desculpe assim ser sincero: veja bem você que às vezes até amando a gente fere. e eu sei que você sabe disso: você sabe é muita coisa: só que não diz nada - aliás diz ardil e isso não gosto. cristina, ame aos pouquinhos, eu sei bem que você consegue repartir.yuri, em co-autoria com nina. dedicado a mim.
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